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22/09/2004

divulgação 

Divulgo aqui dois links que têm a sua utilidade, criando um espaço para cada um deles também na coluna à direita:

=> O site de acesso reservado aos clientes da Via Verde, para tratamento de todos os assuntos relacionados com os identificadores;

=> E o site da ana - Aeroportos de Portugal, onde se podem consultar on line, e com actualizações de 3 em 3 minutos, as informações das chegadas e partidas dos vários aeroportos nacionais.

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20/09/2004

40 - Jornalismo ou Terrorismo? 

Antes de mais parece que devo um pedido de desculpas a todos os que defraudei ao não escrever uma crónica aqui no Medo do Escuro acerca do artigo da Leonor Pinhão, de forma breve, como havia anunciado no Blog Sadinos.

De facto, e depois de debater o assunto quer no Sadinos, quer o mesmo ter sido debatido no Fórum do Vitória na Internet, onde também participei, achei que para acrescentar algo de novo no Medo do Escuro teria que fazer todo o enquadramento primeiro, o que demoraria algum tempo, e seria redundante, uma vez que já tanto havia sido dito... e como o tempo não é coisa que abunde...

Bom, de qualquer forma, e uma vez que estou em dívida e estou a ser cobrado para tal, venho então deixar essa análise aqui no Medo do Escuro.

Antes de mais, e para contextualizar a análise, deixo o tal enquadramento ao artigo da Leonor Pinhão, essa pseudo-jornalista, que aqui está em causa.

O parágrafo da discórdia, escrito por essa senhora, diz(ia): "Portou-se Mourinho como uma verdadeira galdéria sulista e liberal, o que, ao fim e ao cabo, é o sangue que lhe corre nas veias, já que nasceu em Setúbal, uns bons cinquenta quilómetros ao Sul de Lisboa, essa metrópole do vício e da boa gargalhada." retirado da crónica escrita nesse grande jornal desportivo, isento, que é "A Bola", numa edição de Agosto deste ano (2004).

... que despoletou a seguinte discussão, nos dois seguintes links:

=> Blog Sadinos, a partir da sétima mensagem...;

=> Fórum do Vitória FC

Para terminar, e porque sinceramente também não quero perder mais tempo com esta... jornalista (?), deixo ficar parte da mensagem colocada por um participante do fórum do Vitória, que assina como Sócio 5679, mensagem com que me identifico totalmente:

"Fiquei realmente a pensar nesta questão.

A leitura completa de toda a crónica permite realmente retirar outras elações, ao se colocar dentro do contexto aquele parágrafo maldito.

Também eu fui confrontado a quente com o excerto em causa (...)

Mesmo depois de ter lido todo o texto com mais atenção, fiquei com aquele sentimento de ofensa, talvez também porque as palavras foram proferidas por uma senhora que já nos habituou ao pior, desde chamar ao Vitória clube satélite do Porto até clube de bairro, cujos adeptos ofende sempre que deles fala quando critica a sua (nossa) dedicação extrema e cega ao Vitória.

Mais a frio, e depois de reler todo o texto, consigo fazer outras interpretações, como também já aqui mencionadas" (ver várias mensagens do tópico) ", que de algum modo são justificadas pelo seu português.

Mas... a sensação final com que fico é a de que esta senhora escreve realmente muito bem. Consegue através das suas palavras ofender tudo e todos, sem contudo, e pelos vistos, ofender ninguém. Deve ser uma nova figura de estilo. Talvez uma figura triste, enquadrando esta crónica com tantas outras que tem escrito, mas com estilo... ao estilo "Leonor Pinhão". Ou seja ofendeu à mesma o Mourinho, os(as) setubalenses, os sulistas, e a vida da Metrópole lisboeta e os lisboetas, ofendeu Setúbal, quando a considera inserida em Lisboa (eles bem tentam... ou querem... por isso já estamos no Vale do Tejo). E ofendeu toda esta gente, colocando as suas palavras na boca do dirigente nortenho e na boca das gentes do Norte, ofendendo-os porque resumiu a sua (deles) inteligência a esta pequenez de pensamentos, evidenciada num único e simples parágrafo, quiçá baseado nos seus recalcamentos ou diminuições pessoais...

Mas quanto a ofender lisboetas e portuenses ou portistas, estou-me eu, e desculpem a expressão, nas tintas! Quanto ao parágrafo em si, se isolado, num meio de comunicação social de grande penetração de mercado como é o jornal A Bola, numa crónica lida na diagonal por pelo menos 50 % dos leitores, acaba por ser apenas e somente ofensivo para as gentes de Setúbal... e isso, pelo que me pude aperceber, foi já condenado pela participação de muitos que já aqui disseram ter contribuído com uma mensagem para o jornal. (...)

Ela tenta explicar atitudes... não exprime opiniões pessoais e critica os pensamentos das pessoas a quem ela os atribui! Muito profissional!

A senhora (...) não fez ofensa em primeira análise... e após esta? Cada um com a sua! Quem não a conheça, que a compre!"

O que a Leonor Pinhão faz, quanto a mim, não é jornalismo... mas sim terrorismo. Mas lá está... haverão certamente ideias diferentes. Não sou, nem nunca serei, o dono da verdade. Esta é a minha (mas não só) opinião. Ainda assim, e como tal, ela vale o que vale.

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03/09/2004

39 - 100% Vitória 

A discussão é antiga e sempre acesa. Argumentos esgrimem--se em torno desta temática. Os adeptos mais fervorosos e indefectíveis do Vitória não compreendem como se pode ser adepto ou sócio do Vitória e poder-se sequer gostar de um outro clube que tenha uma equipa de futebol profissional, principalmente um daqueles clubes cujo número de adeptos lhes conferem uma dimensão nacional.

Mas a paixão que os vitorianos sentem pelo Vitória acaba por ter, como qualquer paixão forte, tal como acontece quando se ama, razões que a própria razão não consegue explicar.

Setúbal e o Vitória estão intimamente ligados desde o aparecimento do seu mais representativo clube, em 1910.

Setúbal, cidade também ela arrebatadora de paixões por quem nela vive ou passa, acaba por vincar forte a necessidade dos seus filhos e enteados se entregarem de corpo e alma a essa paixão e por tudo o que a representa. O Vitória não é excepção. Assim se explica que com o passar dos anos os muitos adeptos que aprenderam a gostar do Vitória não fossem sentindo necessidade em gostar de qualquer outro clube. O Vitória preenchia os sonhos, as alegrias, as desilusões desportivas... enquanto crescia no panorama nacional... enquanto subia até à primeira divisão, enquanto conquistava a Europa e os mais altos lugares da classificação do principal campeonato de futebol e se debatia de igual para igual em cada série da Taça de Portugal.

O Vitória dominava a vida desportiva da cidade. Aglutinava em seu redor os atletas setubalenses. A vida social da cidade retribuía com uma forte dedicação no apoio ao seu Clube. Um tempo de maior disponibilidade e entrega das pessoas a causas comuns, que hoje a vida não permite por haver demasiados centros de dispersão e diversão, desde a televisão 24 horas até aos grandes centros de consumo, passando pela infinidade de possibilidades para ocupação de tempos livres.

E o Vitória conquistava quem cá estava e quem para cá vinha. Um amor que foi facilmente passado de geração em geração. Um amor que exigia exclusividade porque desde cedo os principais clubes portugueses se tornaram rivais... os ladrões dos nossos sonhos de chegar cada vez mais alto, ou simplesmente pelo prazer que os setubalenses sentiam por se ganhar aos clubes de Lisboa, já nessa época uma capital que queria puxar a si todas as atenções, cuja imprensa "nacional" aprendia a ignorar tudo o resto.

E quem chegava migrado aprendia rápido a gostar do Vitória. E muitos dos que foram povoando Setúbal ao longo do último século, oriundos de um Alentejo que não disponibilizava esta paixão, ou de outras zonas do país que não ofereciam a beleza que Setúbal tinha (e tem), tornaram-se em alguns dos maiores defensores do Clube setubalense, cuja entrega passou para as gerações vindouras.

Mas ao mesmo tempo que chegavam mais "forasteiros" para assentarem arraiais em Setúbal, ao mesmo tempo que a sociedade portuguesa ia pintando o país com três cores clubistas, e onde a comunicação social nacional apenas dava atenção a três clubes em Portugal, a força do adepto setubalense 100% vitoriano perdia algum do seu fulgor.

Paralelamente, os cada vez em maior número centros de diversão e a cada vez maior variedade de ocupação de tempos livres, começaram aos poucos a desviar a atenção de alguns setubalenses, que se começaram a desabituar do gosto pelo futebol ou pelo desporto, direccionando-se para outras "artes". E é através deste facto que hoje se conseguem encontrar muitos filhos desta terra cujo clube de preferência é o Vitória, mas que não se interessam por desporto em geral, futebol em particular, não acompanhando a vida do Clube, nem como associados nem como simples adeptos.

Entretanto, a obrigatoriedade imposta pela sociedade em se ser adepto neste país de um clube da dimensão nacional criada pela própria sociedade, cujo cúmulo termina na pergunta ridícula: "Mas qual é que é o teu segundo clube?" ou na "Mas afinal de qual dos grandes é que és?", aliada à migração já referida, e contínua, de gentes de outras terras para os grandes centros urbanos, acabou por introduzir nas fileiras de sócios do Vitória uma grande percentagem de pessoas que gostam de futebol, gostam do Vitória... mas que têm uma paixão vinda de trás por um dos tais emblemas "nacionais", alimentada pela facciosa e comprometida comunicação social.

E será que tal situação é condenável? Pergunta difícil esta... de resposta ainda com maior índice de dificuldade!

A resposta..., melhor: Uma resposta (!), passa, ainda que ambígua, por redundar num simples... talvez! Dependerá dos setubalenses, no caso do Vitória, dos bracarenses, no caso do Sporting de Braga, dos conimbricenses, no caso da Académica de Coimbra, dos aveirenses, no caso do Beira-Mar, etc., i.e., passará em muito pelos adeptos das várias equipas nacionais que se entreguem em exclusividade ao apoio à equipa da sua cidade.

Dentro de cada clube, os adeptos de duas cores, que tanta falta fazem em número e no pagamento de quotas, terão que compreender que não são adeptos de primeira desse clube. (Acho lógico esse auto-reconhecimento). Mais, deverão compreender, aceitar e respeitar que os adeptos a 100% de um clube têm uma paixão maior, porque exclusiva! Mas, e acima de tudo, deverão saber preservar a sua condição de sócio e adepto, de uma forma muito simples: em caso de um jogo em casa do clube da terra onde vive, com o clube do seu coração, deverá saber abandonar a sua condição de sócio, e acompanhar o jogo a partir de um local neutro no estádio, adquirindo um bilhete normal para adepto visitante! Ou seja, deverão saber respeitar o clube do qual são sócios e deverão respeitar os restantes sócios de um emblema que a eles, teoricamente, também muito lhes diz.

Mas se esses adeptos são importantes na vertente financeira para o clube, acabam por ser um cancro que se não for combatido, com o passar do tempo, tenderá a fazer perder a identidade dos sócios a 100% desse clube, reduzindo o número de clubes em Portugal com essa identidade, levando a que o marasmo do futebol português se reduza à insignificância de uma paixão por três clubes inventados por uma comunicação social irresponsável onde a maioria dos profissionais desse sector não são simplesmente profissionais.

Os adeptos a 100%, por sua vez, deverão reconhecer a importância de um clube com muitos sócios, ainda que alguns não sofram como eles pelo emblema a que dedicam exclusividade. Deverão também reconhecer que muitos desses sócios têm uma história de vida que explica a paixão por outro emblema, e valorizar aqueles que aprenderam também a gostar, a amar, a roer as unhas, a incentivar permanentemente a equipa, a acompanhá-la e a dedicar-lhe muito da sua vida... muitas vezes com tanta ou mais emoção como os adeptos a 100%, perfeitamente visível nos jogos que não interferem com o sucesso da sua outra equipa.

Uma coisa é certa... não ajudará que aqueles que nasceram numa terra como Setúbal, e sejam de descendência sadina, incompreensivelmente sejam adeptos de um dos tais clubes de "dimensão nacional", promovida pela também ela pela facciosa imprensa "nacional".

Não vejo um português, residente desde sempre em Portugal, ser um adepto convicto da selecção espanhola, alemã ou inglesa, apenas porque já ganharam mais títulos, porque têm melhores jogadores ou porque têm mais adeptos... nem o vejo gostar primeiro de Portugal e depois de outro país, a não ser por motivos de afinidades familiares. Nós portugueses "reduzimo--nos" à nossa "insignificante" paixão lusitana, mas orgulhosamente! Nós setubalenses, também orgulhosamente, "elevamo-nos" à nossa convincente paixão sadina, à nossa paixão pelo Vitória, porque amar-se o Vitória é amar-se Setúbal!

E ainda há alguns, muitos, que apelam à questão do bairrismo para denegrir a paixão que os setubalenses sentem pelo seu Vitória! Bairrismo? Mas há gente que sabe o que diz? Para mim um bairro é Benfica. Um bairro de Lisboa... essa cidade mongolóide de um país amorfo. Um bairro elevado à dimensão nacional pela tal comunicação social facciosa, comprometida perante empresários, política e sistemas! Um bairro elevado à condição de dimensão nacional, onde gente sem força interior e sem orgulho das suas origens se deixou conquistar pela glória alheia!

Setúbal é uma cidade, capital de Distrito, com uma história que lhe dá paixão! Não é um bairro, mas sim uma cidade que reúne filhos de uma vasta região portuguesa, nas várias repovoações de que foi alvo, conseguindo sempre transmitir o mesmo orgulho a quem por cá se instalava.

Mas porque raio se nasci em Setúbal vou-me pôr a gritar num estádio por uma cidade que não a minha? Porquê gritar "Porto! Porto!" ou por um bairro de Lisboa, tipo "Benfica! Benfica!", ou por um clube com nome inglês, tipo "Sporting! Sporting!"!

Ganharam mais títulos? Têm melhores equipas? São promovidos pela sociedade ou pela comunicação social? Têm mais tempo de antena? Não são de onde nasci... e ponto final!... Confesso: também só consigo gritar por Portugal!

Há quem apele à democracia... à liberdade de escolha! Mas que liberdade? Àquela que é condicionada pela comunicação social enquanto grupo de pressão camuflado? Àquela que nos é imposta por uma sociedade decadente e onde que nem carneirinhos todos seguem a teoria dos mais fortes? Dos mais ricos? Pergunto eu se essa gente também escolheu ser portuguesa? Porque torcem por Portugal? Não os vejo torcer por França, ou pela Holanda! Onde está a congruência?

Sou português, torço por Portugal! Sou setubalense, torço pelo Vitória! (Única colectividade setubalense que nasceu do esforço conjunto de toda a cidade). Esta é a congruência! A única excepção aceitável é a que é justificável pelos movimentos migratórios.

Mas não sejamos mais papistas que ao Papa... se existem sócios no Vitória que não o sejam a 100%, deixemo-los existirem... apenas peço que o sejam respeitando a instituição e os vitorianos a 100%.

Resta deixar uma palavra aos vitorianos que não nasceram em Setúbal. Não serão muitos certamente. Pelo teor das minhas palavras também não compreenderei porque o são, se não tiverem uma história que os ligue de alguma forma a Setúbal, por migrações ou por afinidades. Mas, e pelo teor igualmente do que referi, serão certamente pessoas com uma personalidade muito forte, que conseguiram manter a sua integridade por terem conseguido enfrentar e contrariar o sórdido mundo da comunicação social e fugir aos tentáculos de uma sociedade que se diz democrata! Certamente serão vitorianos porque se revêem na força dos adeptos sadinos e na paixão que estes sentem pelo Vitória!

A terminar, apenas o grito que apetece deixar:

VITÓRIA! VITÓRIA! VITÓRIA!

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