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03/03/2005

espaço Vitória / divulgação 

Não posso deixar passar mais este bonito marco este ano na carreira do Vitória, destacando-o com mais esta excelente crónica!

De realçar também o facto de para já termos garantida a disputa da 21.ª meia-final, sendo que das 20 anteriores "apenas" por 7 vezes o Vitória chegou à final, tendo conquistado o troféu por 2 vezes, ambas na década de 60.

Há mesmo muito tempo que as duas taças da nossa sala de troféus esperam por uma terceira... e desde que nasci sonho em pisar o Jamor para ver o Vitória conquistar a Taça de Portugal! Quem sabe não será este o ano?

Ainda nada ganhámos, e mesmo se ganharmos o direito a estar no palco da final só triunfando esse derradeiro encontro poderemos fazer a festa completa... no entanto a ida ao Jamor será já uma pequena vitória para quem nunca viu o Vitória na ribalta do futebol em Portugal, a não ser o quedar-se no quinto lugar por 2 ou 3 vezes que apenas redundaram numa única ida à Europa nos últimos 30 anos! (e foi bonito ver o Vitória ganhar ao Roma por 1-0, apesar de sermos eliminados logo na primeira eliminatória da Taça UEFA desse ano).

Faltam mais 90 ou 120 minutos de sofrimento para a primeira etapa estar ultrapassada, qualquer que seja o adversário a enfrentar; e mais outros tantos até podermos erguer a Taça e contemplá-la na varanda da CMS a partir da Praça do Bocage! O sonho, realmente, comanda a vida!

Não vai ser fácil, nem pode haver preferências entre os adversários sob o risco do desgosto poder ser maior, mas uma meia-final contra o Beira-Mar em Setúbal dava-nos um certo gostinho a desforra pela forma injusta como nos "roubaram" a ida à final na época de 1997/98. Quanto à final em si, acho que seria bem bonita contra o Boavista, pelo equilíbrio de cores nas bancadas...

Sou um dos que não se conforta com a escolha de José Rachão para novo técnico do Vitória. E embora ainda não tendo perdido nenhum jogo, e da "sua" equipa nos ter dado mais esta alegria, acaba por se revelar um treinador cheio de receios em colocar o Vitória a jogar "à Vitória", independentemente do resultado do jogo ou do adversário. Como nós gostamos no Vitória, um jogo é para ganhar... de preferência pela maior margem de golos possível! Mas neste momento é ele quem comanda a nau vitoriana, e quer se goste quer não, esperamos que com ele façamos escala no porto da manutenção, com navegação tranquila, até acostarmos ao porto do Jamor, onde faremos sair as nossas tropas ao som do VIII Exército, com a força dos ventos fortes do Sado, onde os Furacões Sadinos ajudarão certamente a empurrar a bola até às redes adversárias!

Força Vitória! A um passo de um sonho!

A terminar, mais um
blog vitoriano, já devidamente colocado também na coluna à direita, que desejamos, sinceramente, não seja apenas mais um!... Como a todos os outros, os votos de vida longa e constantes actualizações!
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24/02/2005

46 - Especial Eleições Legislativas 2005 

Depois de algum tempo sem poder actualizar o Medo do Escuro é complicado voltar uma vez que dois meses representam muitos assuntos deixados de lado... e o voltar a escrever parece não fazer sentido, porque se perde a noção de continuidade que um blog parece exigir.

De qualquer forma, e porque o gosto de escrever associado à vontade de desabafar coisas que parece que mais ninguém diz, fazem-me regressar... esperando que os hiatos entre as crónicas que poderei deixar no futuro possam nunca ser tão espaçadas, sob o risco de "matar" o Blog.

Desta vez trago uma análise às últimas eleições legislativas: a minha análise! (Ninguém ma pediu, mas como o Blog é meu, vou dá-la à mesma). Por ser sempre um tema controverso e incompreensivelmente susceptível de levantar reacções apaixonadas (pelo menos não consigo perceber como a política em Portugal nos dias de hoje pode levantar paixões), arrisco-me a não ter nenhum leitor que partilhe do meu ponto de vista. Por isso se houver um único visitante que tenha a paciência de ler os meus textos e que concorde comigo, que deixe uma mensagem a referir isso mesmo. Não trará grandes benefícios à humanidade, mas ao menos saberemos ambos que há duas pessoas no mundo a pensar desta mesma forma, não que seja melhor que às outras formas, mas pior também não será certamente.

Resultados Distritais:

8 Deputados do P.S.
3 Deputados da C.D.U.
3 Deputados do P.S.D.
2 Deputados do B.E.
1 Deputado do C.D.S.

Fico feliz por "termos tido" em Setúbal a inteligência de não atribuirmos a maioria absoluta a nenhum partido (pelo menos considerando os indivíduos que estão à frente de cada um). Pena que a nível nacional não tenha havido "o mesmo cuidado".

Em relação aos resultados em Setúbal não se pode dizer que se esteja perante um caso de grande surpresa. Felizmente que o 10.º lugar não elegível da lista socialista resultou nisso mesmo: O Paulo Pedroso não foi eleito pelo círculo eleitoral de Setúbal! O que me deixa ligeiramente mais satisfeito, porque pedófilos, paneleiros e gente de má espécie já há demais na política. Não que tenha alguma coisa contra os paneleiros, porque também não há razão para os estar para aqui a chamar, nem necessariamente se poderão incluir no pacote dos pedófilos e na gente de má espécie... apenas me parece a mim que não é natural que seja um indivíduo dessa estirpe a estar à frente de um governo de um país, não que o que esteja neste momento o seja, também não quer dizer que o não seja, mas enfim... o importante mesmo é que o Paulo Pedroso não tenha sido eleito. Pode até nem ser pedófilo, mas como pode sê-lo também, é melhor não ocupar nenhum cargo político, porque os políticos devem ser pessoas sérias, honestas e credíveis. Devem sê-lo... digo eu, que não percebo nada de política. E em relação aos homossexuais, até pode ser que esteja enganado, até pode ser que o que o país precise é realmente de um toque feminino, com força de homem. Vamos ver...

Resultados Nacionais:

120 Deputados do P.S.
72 Deputados do P.S.D.
14 Deputados da C.D.U.
12 Deputados do C.D.S.
8 Deputados do B.E.

Mais de 100 mil pessoas (mais de 7 mil em Setúbal) deram-se ao trabalho de ir votar em branco. Pessoalmente nunca o farei. No meu boletim não me arrisco a que ninguém meta uma cruz, válida, por mim! Se quiserem que lhe metam mais uma, e o tornem nulo, ou mais nulo ainda, mas já aprendi a desconfiar de quem faz a contagem dos votos. De qualquer maneira, valorizo a honestidade de quem lá vai votar em branco. Ao menos votam na mesma proporção dos benefícios que qualquer dos partidos lhes vai dar directa ou indirectamente (salvos os das raras excepções dos tachos e pouco mais). Mas quem vota nulo também... bem... qualquer das opções é válida para mostrar a nossa satisfação pelo estado da política em Portugal!

Agora acho estranho é as pessoas acreditarem que com este governo de maioria socialista isto vá progredir. Não pela questão de ser maioria em si, ou pelo facto da mesma ser socialista... o problema mesmo é ser com ESTA maioria socialista. Porque se olharmos às caras que foram surgindo na evolução da campanha pelo menos somos obrigados a desconfiar que irá sair dali alguma coisa de jeito. E quando vemos as que saltam de imediato para as câmaras de televisão após a contagem dos votos ficamos com a certeza! Se não tivessem a maioria, sempre seriam forçados a trabalhar qualquer coisita em prol do país, assim vão trabalhar à mesma em prol... doutra coisa qualquer. E já não me lembro como se diz trabalho em inglês! Work? Job? Rapaz ainda me lembro: é boy!

Abstenção

35% - muito melhor, portanto, que os 38% das últimas legislativas! Considerando então que na altura foi fim-de-semana prolongado! Ou seja, votámos quase os mesmos, mas mais um bocadinho. Todos os partidos apelaram ao voto, como que a dizer: quem vier votar de certeza que é no meu. Acho que houve alguns que acertaram, provavelmente os partidos que cresceram, mas se tivermos em conta a descida que o PSD registou, ficamos convencidos que afinal os muitos votos que socialistas, comunistas esverdeados e bloquistas tiveram vieram em grande parte de eleitores que haviam votado no PSD... o que me leva ao próximo ponto:

Esquerda – Direita

E esta dicotomia faz-me muita confusão! Como é possível que os partidos políticos ainda tenham discursos baseados nesta "orientação"? Como é possível que comentadores e analistas políticos se refiram por tantas vezes à esquerda e à direita para justificarem acções, estratégias políticas, tomadas de posição? Não, não falei em ideais! E não falei porque já não os há! Ou há, mas cobertos por interesses pessoais, ou de grupos de pessoas, chamados de pressão... ou de "lobis". Hoje os eleitores não se identificam com esquerda ou direita... muitos deles certamente, a avaliar pelos que saltam de partido em partido a cada eleição, vão à procura da melhor solução para o país, para a câmara, para o parlamento europeu, para a presidência! E é assim que se justifica que um eleitor vote na CDU para a câmara municipal, no PSD para a Europa, no BE para o governo (melhor: para a oposição ao governo) e no PS para a presidência. É como ir a diferentes restaurantes e em cada um escolher o prato mais apropriado. Mas nããããão! Lá vem mais um e fala em esquerda, para outro a seguir falar em centro-direita, e vem mais um e fala em extrema esquerda, e o outro a seguir em centro esquerda... Mas o que é isto?! FANTOCHADA! A política, e embora a comunicação social o queira impingir à população, não é como a religião ou como aos clubes de futebol! É-o de facto para alguns, mais tolinhos, que acham que ter uma bandeira do PS (ou doutro partido) na mão e andar a gritar pelas ruas, nos dias que correm, é sinónimo de integridade política: "Ai eu sou do PS e ganhei as eleições! Viva!". Parem de falar em esquerda-direita! Apresentem ideias concretas, vontade de trabalhar e realmente decidam e imponham o que julgam ser o melhor para Portugal, atendendo ao que o mundo é hoje e a forma como "funciona" e rodeia o nosso país.

Abandonos

Vamos ainda ver se os são. Mas quem não estava já farto do Paulo Portas? E do Santana? O Portas fez o seu melhor discurso de sempre na hora do abandono, o Santana nem isso, mas também, coitado, o partido nunca esteve por inteiro do seu lado,... tal como ele nunca esteve ao lado de nada por inteiro. Resta ver quem vem atrás...


Olhem, o último que não feche a porta, porque eu tenho medo do escuro!
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20/12/2004

45 - Terramoto: Escala Nacional 

Magnitude de um sismo (Escala de Richter)
A magnitude é uma tentativa de comparar sismos em termos da sua energia e poder totais. A duração do sismo não entra em linha de conta no conceito de magnitude.
A magnitude avalia-se medindo a máxima deslocação ou amplitude dos traços dos sismógrafos, sendo determinada depois de feita a correcção devida à distância entre o epicentro e o sismógrafo.
Teoricamente, os cálculos de magnitude de várias estações sísmicas deveriam dar o mesmo valor para o mesmo sismo mas, por vezes, registam-se discrepâncias nas magnitudes registadas de um dado sismo, devido aos diferentes caminhos das várias ondas de um mesmo sismo captadas pelo sismógrafo.
A magnitude é um conceito inicialmente desenvolvido pelo físico e sismólogo americano Charles Francis Richter (1900-1985) e pelo seu colega Beno Gutenberg, com base no estudo dos sismos ocorridos na Califórnia.
Na escala desenvolvida em 1935 por Gutenberg e Richter - e que ficaria conhecida pelo nome de escala de Richter - um sismo de grau 2 é o mínimo que uma pessoa pode sentir (um ligeiro tremor). Os danos em prédios acontecem acima dos 6. Os maiores sismos registados até hoje tiveram uma magnitude de 8,9.
Para cobrir o enorme leque de magnitudes dos sismos, a escala de Richter é logarítmica - cada unidade representa um aumento de dez vezes da amplitude das ondas medidas, e aproximadamente um aumento de 30 vezes da energia.

Intensidade de um sismo (Escala de Mercalli)
A escala de Mercalli (Modified Mercalli Intensity Scale) mede a intensidade dos sismos. A intensidade classifica o grau do tremor. É calculada "a posteriori", através da inspecção dos estragos e outros efeitos dum sismo, que normalmente são maiores junto do epicentro, diminuindo com a distância.
Durante muitos anos, a escala mais usada para medir a intensidade de um sismo foi uma escala de dez pontos desenvolvida por Michele Stefano de Rossi e François-Açlphonse Forel em 1878.
Apesar de tudo, a escala de Mercalli está hoje quase fora de uso, sendo usualmente substituída pela escala de Richter, que mede a magnitude dos sismos.A intensidade da escala de Mercalli é expressa em numerais romanos - I a XII - e é puramente descritiva. Para determinar a intensidade, recolhe-se informação através da resposta a questionários e de relatórios de especialistas em danos sismicos. A partir dessas informações, é então possível fazer um mapa isosismal, formado por linhas que limitam as áreas com a mesma intensidade, à volta do epicentro. Com o mapa dos valores de intensidade é possível estimar a magnitude e profundidade do epicentro, pelo intervalo dos contornos das linhas de intensidade e o valor máximo da magnitude.

Versão simplificada da escala de Mercalli:
I - Não se sente.
II - Só é sentido por pessoas em descanso ou nos andares superiores de um prédio.
III - Só é sentido por pessoas dentro de casa. Candeeiros do tecto balouçam. A vibração sentida é semelhante à provocada por um camião que passa.
IV - Vibração semelhante à provocada pela passagem de camiões pesados. Carros estacionados balouçam. Objectos de louça e janelas vibram. Objectos de cristal tilintam. Soalhos de madeira e vigas podem ranger.
V - Sente-se mesmo na rua. pode estimar-se a direcção das vibrações. Acordam pessoas que dormem. Agita líquidos em repouso, podendo mesmo entornar os copos cheios. Pequenos objectos são deslocados. As portas abrem-se e batem. Os relógios de pêndulo param ou aceleram.
VI - Sentido por toda a gente. Pessoas assustam-se e saem para rua. Tornar difícil andar. Quadros caem das paredes. Móveis mexem-se ou caem. Caliça cai das paredes, azulejos racham. Pequenos sinos começam a tocar. Árvores e arbustos abanam.
VII - Dífícil manter-se de pé. Mesmo os condutores de automóveis o sentem. Os objectos suspensos balançam. Móveis partem-se. Tijolos e azulejos mais frágeis partem-se. Chaminés mais frágeis desabam. Cai gesso das paredes, tijolos soltos, cornijas, pedras, telhas. Formam-se ondas nos lagos e tanques. As águas ficam sujas de lama. Criam-se declives e desníveis ao longo de areais e zonas de gravilha. Grandes sinos tocam. Valas de cimento ficam danificadas.
VIII - A condução de automóveis é afectada. Construções são afectadas, algumas podem cair parcialmente. Queda dos estuques e de algumas paredes de tijolo. Chaminés torcem-se e caem, monumentos, torres, depósitos de água elevados caem igualmente. Estrutura das casas desloca-se ou chega mesmo a cair. Paredes soltas caem. Ramos das árvores partem-se. Temperatura e caudal da água das fontes e poços é alterada. Surgem brechas no solo em declives e na terra molhada.
IX - Pânico generalizado. Construção mais frágeis são destruídas. As construções normais são muito danificadas, algumas colapsam. Mesmo as construções mais sólidas são afectadas. Reservatórios de água danificados. Canalizações subterrâneas são afectadas. Brechas visíveis no solo. Nas zonas aluviais, areia e lama é ejectada.
X - A maior parte das construções é destruída juntamente com as fundações. Construções mais sólidas de madeira e pontes colapsam. Danos graves em barragens, diques e cais. Grandes deslocamentos de terra. Água de canais, rios, lagos é projectada. A areia e lama sofre grandes deslocações laterais nas praias e regiões planas. Carris de caminho de ferro são ligeiramente torcidos.XI - Carris de caminho de ferro muito torcidos. Canalizações subterrâneas completamente destruídasXII - Danos quase totais. Grandes massas rochosas deslocadas. As linhas de nível são alteradas. Objectos são lançados ao ar.

Ver Fonte

Para confirmar a ideia da minha crónica 16, e ainda àcerca do sismo do passado dia 13 de Dezembro (não, não estou a falar do de ontem no Bonfim), deixo esta crónica para realçar que a acontecer um sismo de grande escala em Portugal ele irá ter impacto... em todo o país! Será caso para dizer que um dia muitas casas virão abaixo.

Na sequência do abalo sísmico de 5,5 Richter (intensidade IV na escala Mercali) a terra sentiu-se fugir debaixo dos pés desde Guimarães até Vila Real de Santo António (e desde Vigo a Huelva, em Espanha). Resta dizer que teve epicentro a sudoeste do Cabo de S. Vicente (Ponta de Sagres) e foi mais fortemente sentido na regiões algarvia, alentejana e andaluza.

Aproveitei para incluir no Medo do Escuro as escalas que medem este género de fenómeno, porque nunca ninguém sabe muito bem aferir a dimensão dos abalos.

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12/12/2004

44 - Que Futuro, Vitória? 

Apesar da derrota, com o sabor amargo da injustiça, de hoje frente ao Rio Ave, as aflições que mais atingem os vitorianos prendem-se com a crise que há muito ensombra o futuro do Vitória e aperta o coração dos seus adeptos.

Preocupante, indubitavelmente, a muito grave situação financeira que o Vitória FC atravessa, que vai sendo colmatada, compensada e disfarçada pelo excelente desempenho que a equipa de futebol profissional vai tendo no principal campeonato desportivo em Portugal.

Todo o mérito, temos que o reconhecer, ao excelente trabalho e postura do líder da nau setubalense, o treinador José Couceiro, que sábia e humanamente tem sabido gerir a crise no seu grupo de trabalho e se tem relacionado imaculadamente com a direcção do Vitória, promovendo a única estabilidade possível tão necessária para que os objectivos a que nos propomos este ano sejam atingidos no menor curto espaço de tempo, ao mesmo tempo que a mística do "jogar-se à Vitória" foi devolvida à equipa do Bonfim.

Resta-nos, a nós simples adeptos, rezar, acompanhar e acarinhar esta equipa para que o final da época chegue com motivos para sorrirmos.

Com cerca de dois meses de salários em atraso, e completa falta de liquidez para cumprir com todos os compromissos a curto (médio e longo) prazo(s) com pessoal, fornecedores e restantes credores, nem a rigorosa e inflexível gestão que o dr. Chumbita Nunes tem promovido no curto orçamento que tão inteligente e friamente foi traçado para esta época, atendendo à grave crise financeira que a Instituição atravessa, parece poder salvar o Vitória de uma autêntica hecatombe!

O passivo e as dívidas acumuladas fruto de décadas mal geridas provocaram um rombo que não permite que as receitas, que o "orçamento de hoje" gera, possam servir para fazer frente a tantas despesas, ainda mais quando se juntam as relacionadas com juros de mora por falta de cumprimento no pagamento de impostos, valores que chegam a representar quase metade do orçamento para este ano.

Se a estas despesas juntarmos as facturas que permitem ao Vitória estar "em dia" para com os compromissos legais para disputar o campeonato da Superliga, as inscrições nas competições europeias, os pagamentos ao Estado, os ordenados de toda a estrutura de pessoal do Clube e da SAD, a manutenção do Estádio e das viaturas, água, telecomunicações, energia, etc... facilmente nos apercebemos que só com o natural apoio das forças vivas da região o Vitória sobreviverá... ou então poderá ficar irremediavelmente afastado da ribalta do desporto em Portugal, relegado para os campeonatos não profissionais e para as áreas de formação, partindo aos poucos para uma morte anunciada da sua alma, aquela que os seus adeptos personalizam e mantêm viva desde sempre, única em Portugal, com o sonho de um dia verem o Vitória campeão!

E a juntar a tudo isto, ainda somos confrontados com a constante argumentação que o Vitória tem sido sistematicamente ajudado pela Câmara Municipal. Ajudou, indiscutível, lógica e obrigatoriamente o seu principal embaixador Vitória por muitas vezes, mas que também se serviu do Clube para outros fins... negócios menos claros dos quais o Vitória FC é simplesmente a principal vítima.

Vítima ingénua, mas vítima. Vítima dos vários dirigentes que procuraram tirar proveito próprio fruto do poder e estatuto conseguido. Vítima dos adeptos ingénuos (quase todos nós) que consentiram por votos favoráveis, ou por imiscuição de opinião nas alturas devidas, que a situação avançasse para o estado actual. Vítima dos vários erros de gestão que redundaram no ultimato de que a sobrevivência do Vitória só seria garantida se se alienasse quase todo o património, incluindo o Estádio, onde através de negócios menos claros passou para as mãos de um grupo económico que fez panela com a CMS para um projecto imobiliário que levanta dúvidas a toda a gente... e que mais dúvidas levanta quanto à sua prossecução.

Um projecto que daria uma nova vida a Setúbal, com milhares de fogos habitacionais, novos edifícios empresariais e comerciais, novos jardins... e um complexo desportivo, oferta do grupo à cidade, pela viabilização do projecto.

Acontece que esse complexo desportivo, que inclui um estádio de futebol municipal, dispensaria um concurso público, obrigatório por lei; Acontece que Setúbal não vê a sua população crescer desde há 20 anos, o que levanta a questão de que com habitações para cerca de 30 mil habitantes na nova zona citadina no Vale da Rosa, qual o impacto que veríamos infringido no centro da cidade, que já se encontra com graves problemas de degradação e com muitos edifícios e apartamentos desabitados?; Acontece que, à conta do projecto Nova Setúbal (que nem sequer estava ainda autorizado por todas as entidades competentes), os dirigentes do VFC, da CMS e do tal grupo económico, "hipotecaram" o estádio do Bonfim...

E é a tal negociata que permitiu a alguns encaixar algumas luvas na CMS, que permitiu ao mesmo tempo ao Vitória encaixar algumas verbas antecipadamente (pela cedência dos terrenos do Bonfim ao tal grupo económico que está por trás do projecto Nova Setúbal) e que à partida permitiria a esse mesmo grupo conseguir explorar toda a zona do Vale da Rosa, retirando daí todos os proveitos imobiliários decorrentes... dizia eu, e é a tal negociata que está agora a ser colocada em causa e a tornar ainda mais negro o futuro do Vitória. Possivelmente, e muito provavelmente com toda a legitimidade, todo o projecto será inviabilizado. O que deixa no ar a incógnita, com o estádio do Bonfim hipotecado: que futuro, Vitória?

Bom. Enquanto há vida há esperança. E se por um lado corremos o risco de vermos os jogadores partirem em debandada geral na reabertura do mercado, rescindindo contratos com justa causa por salários não recebidos, sabendo que não são as transferências do Jorginho, do Mário Pessoa e do Ricardo Baptista que permitirão resolver a crise, mas que poderão dar algum oxigénio para o pagamento de ordenados e consequentemente segurar os jogadores aos seus contratos,... é necessário que vamos mantendo a esperança que quem esteja à frente dos destinos do Clube arranje soluções para manter o Vitória até final da época com a estabilidade possível, para que se nos seja permitido sonhar em manter o Vitória vivo: o "sonho" mais premente nos dias que correm.

E pode ser que a solução passe por aqui.

E temos mesmo que acreditar que a solução surja através do aparecimento de novos parceiros na constituição da SAD do Vitória. Novos accionistas, que acreditem no sonho vitoriano e que dêem as garantias necessárias para revitalizar o Clube. Temos que esperar que quem se disponibiliza para dirigir os comandos do Vitória se consiga rodear dos parceiros certos, possivelmente entre os novos patrocinadores ou entre as entidades que em breve se preparam para investir forte na região. Rapidamente se pensa no Grupo Amorim, no grupo Sonae, nos empresários que estão por trás do projecto da futura marina de Setúbal, etc. Ou então de entre os grupos mais fortes que já estão inseridos na região, como a Portucel, a Sapec ou a Secil.

Mas que as parcerias não tenham por base motivos obscuros. Sabemos que o Vitória não poderá nunca subsistir à conta de mecenas ou milagreiros, mas que aqueles que o rodeiem que busquem apenas o aproveitamento de sinergias junto da principal instituição da região, sem utilizarem o Vitória como uma ferramenta para perseguição de outros objectivos menos claros.

Porque se depender de nós simples adeptos, mesmo que vitorianos a 100%, com as nossas próprias preocupações familiares e profissionais, não teremos nem tempo, nem dinheiro, nem competência, arte, engenho ou "malandrice" para levarmos o Vitória a bom fim.

Será triste demais um dia podermos ver acontecer ao Vitória o que aconteceu recentemente ao Salgueiros ou ao Farense. Será triste demais podermos assistir ao "desaparecimento" do Clube do panorama desportivo nacional. Serei sempre e unicamente do Vitória de Setúbal, independentemente do que acontecer ao Clube e seja qual for o escalão que disputar... mas será com uma mágoa, um desgosto e uma angústia imensas que assistirei a tal futuro.

Que este desabafo que hoje marca o Medo do Escuro possa ser lido daqui a uns tempos com a tranquilidade de um pesadelo que se dissipou. Esperemos que o caminho do Vitória seja bem iluminado, pois não consigo conceber o dia-a-dia sem viver as emoções que este Clube me proporciona... e porque todos os vitorianos merecem um dia festejar a conquista do título do principal campeonato português!

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07/12/2004

43 - Marina de Setúbal: Realidade? Sonho? 

Depois de na crónica 24 ter abordado o assunto, surgiu agora uma nova notícia que dá conta de um novo projecto para a futura marina de Setúbal. Um projecto que a realizar-se será um motivo de orgulho para qualquer amante da região setubalense. Um projecto que honra a beleza da cidade e da sua baía. Um projecto que levantará a moral de uma população tão constantemente bombardeada com crises sociais e atentados à imagem da sua cidade e que servirá como que um balão de ar para o turismo regional, para o emprego na Península de Setúbal e para as finanças do tecido empresarial local.

Resta esperar que não fechem a porta a este projecto, que as políticas sustentadas nas invejas, nos quintais e nos valores pequenos e mesquinhos não cortem as pernas a tão importante objectivo. Afinal o que se pretende para Setúbal? Uma cidade cada vez mais pequena, sem vida própria e cada vez mais subjugada a Lisboa? Ou uma cidade virada para o futuro? Com o turismo de luxo a instalar-se na região, com um casino em Tróia, a maior e melhor marina de Portugal na margem Norte do Sado, uma Arrábida com turismo de qualidade de braços dados com uma adequada política ambiental,... para além de todas as sinergias que se poderão obter a partir daqui!

Fiquei realmente entusiasmado com a notícia lida no Setubal na Rede, mas ao mesmo tempo apreensivo quanto aos riscos inerentes ao facto de a notícia não dar ainda como certo o empreendimento do projecto, ainda mais quando está dependente do "Governo, da sua inclusão no Plano de Pormenor do Polis (em fase de conclusão), de um protocolo a celebrar com a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e de outros pareceres e aprovações por parte de entidades competentes". São entidades a mais para quem está habituado a ver em Portugal lobbies que tudo fazem para afastar certos investimentos de certas zonas do país, e que tudo fazem para os inviabilizar.

Resta deixar a notícia na íntegra no Medo do Escuro, esperando sinceramente poder exuberar daqui a uns tempos, neste mesmo Blog, pela sua inauguração tal como descrita na crónica abaixo:

Setubal na Rede ( www.setubalnarede.pt ) - O Portal do Distrito

« 29-11-2004 »

Futura marina de Setúbal vai custar 80 milhões de euros

A empresa Celtic Marine já entregou à Câmara de Setúbal o ante-projecto para a construção de uma marina atlântica na cidade, que terá um custo de 80 milhões de euros. O responsável pelo projecto, Emanuel Pacheco, disse ao "Setúbal na Rede" "já existem garantias de financiamento por parte de três investidores na área da imobiliária". A futura marina de Setúbal vai ter capacidade para 600 embarcações de recreio, dois navios de cruzeiro e vai reservar 11 lugares para super-iates.

A Celtic Marine é uma empresa de investidores internacionais que decidiu "responder ao repto lançado, há dois anos, pelo presidente Carlos de Sousa" e, assim, apostar na construção de uma marina atlântica em Setúbal. Na Celtic Marine existem "três grandes pilares", nomeadamente a empresa Valorum, à qual pertence o arquitecto Emanuel Pacheco e que é responsável pela elaboração do projecto, e mais duas pessoas com "experiência reconhecida na área da náutica". É o caso do construtor Bill Green, que empreendeu, recentemente, uma das maiores marinas do mundo, em Malta, e também de Mike Hadley, que gere os serviços da Celtic Marine na Nazaré.

Segundo os estudos preliminares realizados pela Celtic Marine, "a melhor localização para a futura marina é entre a Doca dos Pescadores e o antigo Parque de Campismo Toca do Pai Lopes". A nova infra-estrutura, que, a ser construída, vai ser "uma das maiores e mais luxuosas do país", pode receber até 600 embarcações de marina e recreio, com "a importância acrescida de prever 11 lugares para super-iates". Isto porque, "há muita falta de lugares para super-iates nas marinas que existem na Europa".

Além disso, o projecto prevê a construção de infra-estruturas de apoio em terra, a instalar num conjunto de cinco edifícios. Para além dos serviços técnicos e administrativos e toda a logística inerente ao funcionamento de uma marina, "os edifícios vão incluir lojas, restaurantes e bares". Está também prevista uma área de construção imobiliária para mais de 100 apartamentos que "vão ser comercializados pelos promotores do projecto".

Sem adiantar nomes, Emanuel Pacheco revela que os três promotores "já foram apresentados, em duas reuniões, ao executivo da Câmara de Setúbal". Estes investidores "garantem o financiamento dos 80 milhões de euros que vai custar a marina", que depois serão compensados "através da venda dos apartamentos". "Nesses encontros foram apresentados documentos assinados por instituições bancárias que garantem o financiamento", remata o responsável pela elaboração do projecto.

A Celtic Marine defende que a região de Setúbal "não pode desperdiçar a oportunidade de ter um empreendimento desta dimensão". Em Setúbal "justifica-se plenamente" a construção de uma marina, "devido às condições geográficas, climatéricas e morfológicas aqui existentes". Além disso, as belezas e recursos naturais do Estuário do Sado, bem como o facto de Setúbal estar no clube das mais belas baías do mundo, "justificam a construção do ponto de vista turístico".

"A marina vai gerar dinâmicas no concelho, atrair milhares de turistas e contribuir para o desenvolvimento económico-social", defende Emanuel Pacheco. Isto porque, uma infra-estrutura desta dimensão "vai permitir criar largas centenas de postos de trabalho, directos e indirectos". O presidente da câmara, Carlos de Sousa, já referiu que a construção de uma marina "pode ser determinante para o desenvolvimento do concelho", mas que o Estado tem de assumir este projecto como "vital para Setúbal e para a região".

Por isso, Emanuel Pacheco apela ao "interesse" do Governo em "acelerar o processo de licenciamento do projecto", até porque os investidores "podem mudar de ideias se o processo se arrastar por muito tempo". Com a divulgação do projecto através da comunicação social, a Celtic Marine pretende, ainda, "despertar as instituições locais e a população de Setúbal para o debate em torno da importância da marina".

Para além do interesse do Governo, para que o projecto avance tem de ser incluído no Plano de Pormenor do Polis, que está em fase de conclusão. A construção da marina depende, ainda, de um protocolo a celebrar com a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e de outros pareceres e aprovações por parte de entidades competentes. "Se fosse possível aprovar tudo isto hoje, daqui a seis meses já estariam a entrar barcos de recreio na marina de Setúbal", remata Emanuel Pacheco.

O "Setúbal na Rede" tentou contactar, quer o presidente da Câmara de Setúbal, quer a APSS, mas ainda não foi possível obter esclarecimentos por parte destas entidades.

Por: Vera Mariano redaccao@setubalnarede.pt

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04/12/2004

espaço Vitória / divulgação 

Depois de uma vitória por 2 a 1 ser transformada, por senhores com apitos de cor duvidosa, numa derrota por números idênticos em Barcelos... e depois de desperdiçada tão flagrante oportunidade de se matar um borrego com 21 anos, ao não se conseguir levar de vencida o pior Porto que passou no Bonfim dos últimos tempos, por manifesta falta de criatividade de um Vitória que encontrou o pior adversário da época no Bonfim; é com tristeza que não encontramos o Vitória de Setúbal no primeiro lugar da SuperLiga à 12.ª jornada.

Mas coloquemos os pés bem assentes na terra, e já que não nos é permitido acalentar esperanças que o nosso sonho se transforme em realidade já este ano, vamos esperando que o principal objectivo para esta época seja atingido o mais rapidamente possível: a manutenção poderá ficar a dois ou três triunfos de distância já no final da primeira volta... e essa é que é essa! Mas venha um jogo de cada vez e esperemos conseguir vencer o "Maritm" já neste fim de semana, a ver se a equipa regressa ao ambiente de tranquilidade e estabilidade que sabiamente o Mister José Couceiro tem conseguido preservar.

Numa altura em que finalmente o Superfechado Plus está prestes a abrir em Setúbal, em que a cidade de Setúbal parece finalmente estar a acordar a acordar do marasmo em que se encontrava nos últimos anos, há sinais de fumo branco a surgir quanto às questões relacionadas com o prosseguimento da Pólis, da Nova Setúbal e da privatização do porto de Setúbal... apesar de todas as situações terem sido, ou estarem a ser, aparentemente, resolvidas através de uma série de atropelos legais.

Quanto à blogosfera, aproveito para divulgar dois novos blogs (novos no Medo do Escuro, pelo menos) que tenho visitado de há algum tempo a esta parte. Um do foro desportivo, pela criatividade com que os seus autores o têm caracterizado pelas crónicas que editam. O outro pela forma bastante interessante como o seu autor vai abordando temas da actualidade nacional, para além de ser um bloguista assumidamente vitoriano. Não posso, obviamente também, deixar de divulgar que finalmente o novo site oficial do Vitória foi lançado por ocasião do 94.º aniversário da Instituição.

Cá vou continuando à espera que as obras do Mosteiro de Jesus mostrem resultados rapidamente, que o Quartel do 11 seja recuperado o quanto antes para dar lugar a um centro cultural original que tanta falta faz a Setúbal, que as obras da Pólis mostrem obra que relance o turismo na cidade, que a estrada para a Arrábida e os projectos para a mesma voltem a deixar os setubalenses fazer o tão tradicional passeio de fim de semana pelo circuito mais belo do país o mais breve possível, que toda a zona da Várzea possa ser repensada e embelezada em toda a sua extensão assim que possível, que as obras no Vale da Rosa permitam dotar Setúbal de um novo centro comercial, empresarial e de lazer que mantenha a população local ao fim de semana, para além de trazer gente de fora por mais vezes, ... e que Deus nos dê saúde e paciência para podermos esperar por todos estes desenvolvimentos à cidade!

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10/11/2004

marco 

Há momentos de felicidade que não podem ser descritos por quaisquer palavras de qualquer língua. Resta vivê-los e confiar que o futuro não traia o sonho de que os momentos de felicidade sejam por tantas vezes repetidos pelas nossas vidas fora.

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06/11/2004

espaço Vitória 

Apenas para deixar mais este marco na história deste Blog - a classificação ordenada da Superliga, época 2004/05, antes da 9.ª jornada (06/Nov/2004), onde, 31 anos após, podemos econtrar o Vitória na liderança do principal campeonato de futebol em Portugal.

Nesta jornada, o líder desloca-se a casa do segundo classificado, em Lisboa, onde se espera uma enchente sadina ao novo estádio da Luz. Com o que já vimos desta equipa, não temos rigorosamente nada a perder neste encontro... apenas tudo a ganhar. Força rapazes!


1.º VITÓRIA FC, 17p
2.º S. Lisboa e Benfica, 17p
3.º FC Porto, 16p

4.º CS Marítimo, 16p
5.º Sporting CP, de Lisboa, 14p
6.º Boavista FC, 14p
7.º Rio Ave, 12p
8.º Sporting C. de Braga, 12p
9.º CF Os Belenenses, 10p
10.º Nacional da Madeira, 10p
11.º União de Leiria, 9p
12.º Estoril-Praia, 9p
13.º Beira-Mar, 8p
14.º VSC de Guimarães, 7p
15.º Moreirense FC, 7p

16.º Penafiel, 7p
17.º A. Académica de Coimbra, 7p
18.º Gil Vicente, 4p


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29/10/2004

42 - "O Setúbal" NÃO EXISTE! 

Existem várias abordagens possíveis para defender a Instituição Vitória Futebol Clube, perante tantos atentados ao seu bom nome e imagem, pelo que todos os vitorianos devem, de forma vincada e assumida fazer um papel que deveria estar guardado para a Direcção amorfa do Clube.

Como "o que é demais, é demais!", começo também eu a assumir esse papel neste Blog, esperando que de alguma forma possa contribuir para que a sociedade em geral seja iluminada quanto à designação real do nosso Clube, o Vitória!

"O Setúbal" não existe! É fruto da comodidade da comunicação social pouco profissional que assim tem ensinado a população a referir-se ao Vitória FC, sem justificação plausível!

Há dois Vitórias? Tudo bem! Também há uma série de Sportings e quando se fala em Sporting toda a gente sabe qual é. Porquê? Porque nasceu primeiro, porque é a sua identidade, porque é assim que os seus adeptos gostam de o ver designado.

Pois bem, tudo isso funciona também com o Vitória:
1.º - nasceu em Setúbal 8 anos antes de o de Guimarães ter aparecido (e reza a história de que o de Guimarães é Vitória também porque o de Setúbal já o era!);
2.º - Vitória é a identidade do Clube, tal como reconhecido por todos os que conhecem a cidade e a história do desporto em Portugal;
3.º - É assim, por Vitória, que os seus adeptos gostam de o ver designado.

Porquê então a insistência embirrenta da comunicação social, comprometida com empresários e sistemas, em designar o Vitória por "o Setúbal"? Porquê a repetição da sociedade portuguesa nesse erro?

Só podemos mesmo achar que é por falta de respeito, por uma questão de ignorância e por uma comodidade que não justifica a ofensa diária que os vitorianos são alvos pela sociedade portuguesa.

Muitos outros argumentos podem ser utilizados para defender esta posição que tem tanto de legítima, quanto de desnecessária (porque simplesmente não deveria sequer existir o motivo, porque simplesmente a designação de "o Setúbal" nunca deveria ter surgido)..., mas hoje o argumento principal é o desaparecimento do grande Jogador, do grande Homem e do grande Vitoriano "Jota Jota".

Jacinto João faleceu hoje, aos 60 anos.

Em jeito de homenagem a um Homem que sempre defendeu com paixão e amor, não "o Setúbal", mas o Vitória, sabendo que ele será titular em qualquer equipa que jogue nos relvados dos jardins onde a sua alma se encontre, a sua magia em campo ficará para sempre ligada à mística do Vitória, afinal, ele foi um dos que mostrou em Portugal e no Mundo o que é "jogar-se à Vitória". Que descanse em paz...

.:: algumas homenagens aqui ::.

PS - Extra crónica: por motivos de problemas com a ferramenta de comentários, a análise a esta crónica pode ser feita no espaço de comentários da crónica abaixo (41). Obrigado.

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28/10/2004

41 - Mendigar ao Cruzamento 

Tive sérias dúvidas em arranjar um título para esta crónica, talvez por me terem ocorrido vários, mas acho que este se ajusta ao início da mesma, embora depois a estenda a outros aspectos que considero cruciais para a boa imagem da cidade, e incompreensivelmente ignorados pelo poder político.

Num dia destes, sensivelmente a meio da manhã, era possível encontrar-se no cruzamento que "dá as boas vindas" aos nossos "convidados", pela principal entrada da nossa Cidade, para quem vem da auto-estrada, um representante de uma classe social que parece estar em crescimento, fruto de um empobrecimento da população e de um incremento dos imigrantes de Leste, em cada uma das entradas/saídas desse mesmo cruzamento: um mendigo!

Assim, quem chegava da auto-estrada deparava-se com um "violinador". A palavra não existe, obviamente, mas é isso que o homem é. Tem um violino e finge que sabe tocar, obviamente também, para ser agraciado com uma moedinha pela sua arte.

Na subida da avenida, sentido Jumbo - Intermaché, a densidade de mendigos era maior. Em equipa, pareciam coordenados nos movimentos. Dois senhores e uma senhora "dançavam", sincronizados, por entre as viaturas, na caça à moedinha, em cada uma das saídas desse sentido: Jumbo - auto-estrada; Jumbo - Intermaché; e Jumbo - 4 Caminhos!

Para quem vinha dos 4 Caminhos para o Jumbo, também podia apreciar, não os movimentos de um mendigo, mas sim de dois mendigos. A primeira atacava as primeiras dez viaturas do lento semáforo de cortar à esquerda, enquanto o segundo ficava com os restos, estendendo o seu percurso da décima viatura até à última que arrancasse em velocidade para fugir ao mendigo e apanhar um semáforo aberto, mas quando lá chegasse ver que tinha que parar ao encarnado, com um sorriso desdentado a olhar para si pelo vidro da sua porta, como que dizendo: "dá uma moedinha, senhor..."

Para completar, no sentido Intermaché - 4 Caminhos ainda se podia encontrar o último dos mendigos, isolado na área Norte do cruzamento, a batalhar sozinho o semáforo menos concorrido àquela hora.

Mas seria efectivamente o último dos mendigos? Nããão! Também a agir sozinho estava o mais fino... estava um senhor que apenas aceita esmolas elevadas. Um senhor que mantinha a sua pose a olhar de longe para as viaturas que poderiam render a esmola mais alta. "Estacionado" em frente ao Novotel, sentido Jumbo - Intermarché, na berma da estrada, olhava com altivez do seu fatinho "azul-brigada-de-trânsito" para os "bem-na-vida" que lhe renderiam as melhores esmolas, de forma a cumprir a sua missão o mais rapidamente possível!

E para quem chegasse naquele dia, àquela hora, a Setúbal, este era o espectáculo que se podia apreciar!

Mas pronto... há sempre coisas positivas! Podia entreter-se a olhar a paisagem em volta, para fugir dos olhares dos vários mendigos... desde que não olhasse para a zona que rodeia o bonito edifício do estabelecimento prisional: aquele lindo jardim de mato, com bonitas clareiras de terraplanagem, cheio de lixo a ornamentar todo o espaço.

E quem chega pela principal entrada da Cidade e se dirige para o Centro, pode continuar a admirar as várias belezas que Setúbal tem para oferecer. Senão vejamos: descendo sentido Jumbo - semáforos da Azeda, já no cruzamento, pode-se apreciar um muro bem divertido ornamentado de cartazes de touradas, espectáculos musicais, campanhas políticas... que se vão sobrepondo sistematicamente (presumo para que não se vejam os que ficam desactualizados). Infelizmente há quem não pense assim, fazendo pontaria a esse mesmo muro a ver se o consegue destruir. Há quem vai tentando, por isso as várias partes caídas...

Mas aqueles que gostam de ver este tipo de arte, e continuando no sentido do centro da cidade, ainda podem apreciar a continuação de tão belo muro, que ainda assim vai escondendo um dos ex-libris de Setúbal: a zona de várzea que fica compreendida entre a nova variante da zona e os novos complexos desportivos com o mesmo nome - é pena, porque é uma zona que está excepcionalmente bem aproveitada.

A terminar tão linda avenida e junto aos semáforos da estação de serviço da BP, podemos deliciar-nos com um novo monumento estilo moderno: o edifício dos supermercados Plus, que continua deliciosamente encerrado, enfeitado com uns quantos pontapés nas suas lindas placas cinzentas que definem a sua estrutura, e com um bonito cartaz de informação especialmente apresentado com umas simpáticas tiras, meio encarnadas, meio alaranjadas, oferta da Câmara Municipal.

Quem ainda assim, sedento de emoções fortes, se digne a ir até à Avenida Luísa Todi, poderá novamente aproveitar o espectáculo oferecido por outros elementos da classe social dos desfavorecidos mendigos, variante drogados: os famosos arrumadores da Todi! Acompanhados a espaços pelos senhores altivos dos tais fatos "azuis-brigada-de-trânsito", cada um especialista nas suas funções de tirar dinheiro a quem trabalha.

Para terminar, pedindo a Deus que nos livre a todos de cairmos em desgraça para que nunca nos vejamos obrigados a recorrer a mendigar como forma de arranjar dinheiro para sobrevivermos, resta apenas dizer, acabando aqui a forma satírica com que escrevi esta crónica, que cada vez mais é visível em Setúbal a decadência e a crise que voltaram a assolar a região. As ferramentas públicas não funcionam para cuidar dos mais desfavorecidos e os órgãos públicos não conseguem gerir convenientemente o fenómeno da imigração. É impressionante o número de brasileiros que povoam a Praça do Bocage diariamente, sem fazer rigorosamente nada, a não ser bater papos em grupos de três, quatro ou mais pessoas.

Mas a polícia continua bem preocupada na caça à multa, provavelmente a principal fonte de rendimento deste órgão de defesa e protecção pública.

Deixo apenas algumas sugestões para se fazer um aproveitamento diferente das zona da Várzea, fazendo alusão a crónicas que já escrevi neste mesmo blog (aqui e aqui, entre outras). Pode ser que...

No que diz respeito à zona envolvente ao Estabelecimento Prisional de Setúbal, uma ideia a ter em conta seria o de se aproveitar a própria força de trabalho que está por trás das grades para que, desde que devidamente acompanhados e orientados, pudessem transformar aquele mato em jardim bem arranjado, desde os muros envolventes à prisão, até às estradas que a envolvem, descendo até à ponte que faz a ligação para o Centro Comercial. Requalificava-se todo o espaço ao mesmo tempo que formavam cidadãos com restrição de liberdade na área da jardinagem, abrindo-lhes uma porta para uma futura reintegração na sociedade.

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24/10/2004

espaço Vitória / divulgação 

Aproveitando a alegria que o nosso Vitória vai irradiando neste início de época, mostrando bom futebol e daí retirando os bons resultados que à partida não se esperariam, tendo em conta a crise financeira que se instalou no Clube há algum tempo, venho aqui hoje fazer a divulgação de um site que perpetua no tempo os feitos do principal embaixador da nossa cidade de Setúbal.

Adicionado desde já à coluna da direita do Medo do Escuro, espera-se que o mesmo site seja alvo de uma actualização constante durante muito tempo, e que o nome do Vitória possa subir ou manter-se no topo nas várias listas que o mesmo apresenta, relativas às prestações das equipas portuguesas no futebol nacional e internacional. Os meus parabéns e agradecimentos ao Sr. Jorge Miguel Teixeira pelas informações recolhidas e pelo trabalho realizado, e o meu obrigado também a um cibernauta vitoriano por ter "descoberto" e divulgado o mesmo, para além de um trabalho e presenças notáveis no mundo da Internet sempre a defender o nome e a imagem do Vitória.

Que a senda de bons resultados do Vitória FC possa perdurar durante toda a época, aproveitando o excelente conjunto de jogadores e equipa técnica que até agora se têm revelado uma equipa com uma mentalidade e um estilo de jogo "à Vitória", isto é, com vontade de vencer em todas e partidas, jogando para marcar golos e com técnica apurada. Que a gestão do Vitória possa actuar de forma esclarecida ao ponto de ter a sorte de manter as pedras fundamentais para o actual estado de graça da equipa profissional de futebol, sabendo-se que o sucesso gera sucesso e que o mesmo mantido de forma sustentada poderá ir colmatando as graves carências financeiras que o Clube atravessa.

Para terminar, e para deixar um marco interessante na história deste blog, fica a classificação ordenada da Superliga, época 2004/05, à 7.ª Jornada (24/Out/2004), que nos vai orgulhando:

1.º S. Lisboa e Benfica, 16p
2.º FC Porto, 15p
3.º VITÓRIA FC, 14p

4.º CS Marítimo, 13p
5.º Sporting C. de Braga, 12p
6.º Sporting CP de Lisboa, 11p
7.º Boavista FC, 11p
8.º CF Os Belenenses, 10p
9.º Rio Ave, 9p
10.º Nacional da Madeira, 9p
11.º União de Leiria, 8p
12.º Beira-Mar, 8p
13.º VSC de Guimarães, 7p
14.º Penafiel, 7p
15.º A. Académica de Coimbra, 7p

16.º Moreirense FC, 6p
17.º Estoril-Praia, 6p
18.º Gil Vicente, 3p

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14/10/2004

divulgação 

É, com agrado e como fã da escrita daquela equipa de "treinadores", que destaco nesta divulgação o ressurgimento da equipa do Treinador de Bancada. Tanta falta fizeram...

E é, no entanto e com tristeza, que destaco a forma como a "gerência" do Sadinos "encerrou as suas funções". Lamentavelmente, e sem respeito pelos frequentadores habituais daquele blog (muitos mereciam esse respeito), apagaram todas as crónicas que colocaram, assim como o espaço destinado às mensagens dos leitores, que tanto enriqueceram o blog em muitos dos debates promovidos. Apesar da existência de muitos frequentadores que entravam apenas "mascarados" com o intuito de ofender e rebaixar o nível da discussão, houve debates muito ricos ao nível da informação, dos temas tratados e na defesa de argumentos e posições. Existem formas de preservar as intervenções nas ferramentas disponibilizadas na internet para espaços de comentários, exigindo uma identificação plausível que afasta constantes entradas dos tais "mascarados". Não sei se terá sido esse cansaço que terá motivado a gerência do Sadinos a desistir da manutenção do blog. Mas a forma como saíu não podia ser pior: apagando todo o histórico de um blog que se assumia como o principal da cidade.

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22/09/2004

divulgação 

Divulgo aqui dois links que têm a sua utilidade, criando um espaço para cada um deles também na coluna à direita:

=> O site de acesso reservado aos clientes da Via Verde, para tratamento de todos os assuntos relacionados com os identificadores;

=> E o site da ana - Aeroportos de Portugal, onde se podem consultar on line, e com actualizações de 3 em 3 minutos, as informações das chegadas e partidas dos vários aeroportos nacionais.

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20/09/2004

40 - Jornalismo ou Terrorismo? 

Antes de mais parece que devo um pedido de desculpas a todos os que defraudei ao não escrever uma crónica aqui no Medo do Escuro acerca do artigo da Leonor Pinhão, de forma breve, como havia anunciado no Blog Sadinos.

De facto, e depois de debater o assunto quer no Sadinos, quer o mesmo ter sido debatido no Fórum do Vitória na Internet, onde também participei, achei que para acrescentar algo de novo no Medo do Escuro teria que fazer todo o enquadramento primeiro, o que demoraria algum tempo, e seria redundante, uma vez que já tanto havia sido dito... e como o tempo não é coisa que abunde...

Bom, de qualquer forma, e uma vez que estou em dívida e estou a ser cobrado para tal, venho então deixar essa análise aqui no Medo do Escuro.

Antes de mais, e para contextualizar a análise, deixo o tal enquadramento ao artigo da Leonor Pinhão, essa pseudo-jornalista, que aqui está em causa.

O parágrafo da discórdia, escrito por essa senhora, diz(ia): "Portou-se Mourinho como uma verdadeira galdéria sulista e liberal, o que, ao fim e ao cabo, é o sangue que lhe corre nas veias, já que nasceu em Setúbal, uns bons cinquenta quilómetros ao Sul de Lisboa, essa metrópole do vício e da boa gargalhada." retirado da crónica escrita nesse grande jornal desportivo, isento, que é "A Bola", numa edição de Agosto deste ano (2004).

... que despoletou a seguinte discussão, nos dois seguintes links:

=> Blog Sadinos, a partir da sétima mensagem...;

=> Fórum do Vitória FC

Para terminar, e porque sinceramente também não quero perder mais tempo com esta... jornalista (?), deixo ficar parte da mensagem colocada por um participante do fórum do Vitória, que assina como Sócio 5679, mensagem com que me identifico totalmente:

"Fiquei realmente a pensar nesta questão.

A leitura completa de toda a crónica permite realmente retirar outras elações, ao se colocar dentro do contexto aquele parágrafo maldito.

Também eu fui confrontado a quente com o excerto em causa (...)

Mesmo depois de ter lido todo o texto com mais atenção, fiquei com aquele sentimento de ofensa, talvez também porque as palavras foram proferidas por uma senhora que já nos habituou ao pior, desde chamar ao Vitória clube satélite do Porto até clube de bairro, cujos adeptos ofende sempre que deles fala quando critica a sua (nossa) dedicação extrema e cega ao Vitória.

Mais a frio, e depois de reler todo o texto, consigo fazer outras interpretações, como também já aqui mencionadas" (ver várias mensagens do tópico) ", que de algum modo são justificadas pelo seu português.

Mas... a sensação final com que fico é a de que esta senhora escreve realmente muito bem. Consegue através das suas palavras ofender tudo e todos, sem contudo, e pelos vistos, ofender ninguém. Deve ser uma nova figura de estilo. Talvez uma figura triste, enquadrando esta crónica com tantas outras que tem escrito, mas com estilo... ao estilo "Leonor Pinhão". Ou seja ofendeu à mesma o Mourinho, os(as) setubalenses, os sulistas, e a vida da Metrópole lisboeta e os lisboetas, ofendeu Setúbal, quando a considera inserida em Lisboa (eles bem tentam... ou querem... por isso já estamos no Vale do Tejo). E ofendeu toda esta gente, colocando as suas palavras na boca do dirigente nortenho e na boca das gentes do Norte, ofendendo-os porque resumiu a sua (deles) inteligência a esta pequenez de pensamentos, evidenciada num único e simples parágrafo, quiçá baseado nos seus recalcamentos ou diminuições pessoais...

Mas quanto a ofender lisboetas e portuenses ou portistas, estou-me eu, e desculpem a expressão, nas tintas! Quanto ao parágrafo em si, se isolado, num meio de comunicação social de grande penetração de mercado como é o jornal A Bola, numa crónica lida na diagonal por pelo menos 50 % dos leitores, acaba por ser apenas e somente ofensivo para as gentes de Setúbal... e isso, pelo que me pude aperceber, foi já condenado pela participação de muitos que já aqui disseram ter contribuído com uma mensagem para o jornal. (...)

Ela tenta explicar atitudes... não exprime opiniões pessoais e critica os pensamentos das pessoas a quem ela os atribui! Muito profissional!

A senhora (...) não fez ofensa em primeira análise... e após esta? Cada um com a sua! Quem não a conheça, que a compre!"

O que a Leonor Pinhão faz, quanto a mim, não é jornalismo... mas sim terrorismo. Mas lá está... haverão certamente ideias diferentes. Não sou, nem nunca serei, o dono da verdade. Esta é a minha (mas não só) opinião. Ainda assim, e como tal, ela vale o que vale.

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03/09/2004

39 - 100% Vitória 

A discussão é antiga e sempre acesa. Argumentos esgrimem--se em torno desta temática. Os adeptos mais fervorosos e indefectíveis do Vitória não compreendem como se pode ser adepto ou sócio do Vitória e poder-se sequer gostar de um outro clube que tenha uma equipa de futebol profissional, principalmente um daqueles clubes cujo número de adeptos lhes conferem uma dimensão nacional.

Mas a paixão que os vitorianos sentem pelo Vitória acaba por ter, como qualquer paixão forte, tal como acontece quando se ama, razões que a própria razão não consegue explicar.

Setúbal e o Vitória estão intimamente ligados desde o aparecimento do seu mais representativo clube, em 1910.

Setúbal, cidade também ela arrebatadora de paixões por quem nela vive ou passa, acaba por vincar forte a necessidade dos seus filhos e enteados se entregarem de corpo e alma a essa paixão e por tudo o que a representa. O Vitória não é excepção. Assim se explica que com o passar dos anos os muitos adeptos que aprenderam a gostar do Vitória não fossem sentindo necessidade em gostar de qualquer outro clube. O Vitória preenchia os sonhos, as alegrias, as desilusões desportivas... enquanto crescia no panorama nacional... enquanto subia até à primeira divisão, enquanto conquistava a Europa e os mais altos lugares da classificação do principal campeonato de futebol e se debatia de igual para igual em cada série da Taça de Portugal.

O Vitória dominava a vida desportiva da cidade. Aglutinava em seu redor os atletas setubalenses. A vida social da cidade retribuía com uma forte dedicação no apoio ao seu Clube. Um tempo de maior disponibilidade e entrega das pessoas a causas comuns, que hoje a vida não permite por haver demasiados centros de dispersão e diversão, desde a televisão 24 horas até aos grandes centros de consumo, passando pela infinidade de possibilidades para ocupação de tempos livres.

E o Vitória conquistava quem cá estava e quem para cá vinha. Um amor que foi facilmente passado de geração em geração. Um amor que exigia exclusividade porque desde cedo os principais clubes portugueses se tornaram rivais... os ladrões dos nossos sonhos de chegar cada vez mais alto, ou simplesmente pelo prazer que os setubalenses sentiam por se ganhar aos clubes de Lisboa, já nessa época uma capital que queria puxar a si todas as atenções, cuja imprensa "nacional" aprendia a ignorar tudo o resto.

E quem chegava migrado aprendia rápido a gostar do Vitória. E muitos dos que foram povoando Setúbal ao longo do último século, oriundos de um Alentejo que não disponibilizava esta paixão, ou de outras zonas do país que não ofereciam a beleza que Setúbal tinha (e tem), tornaram-se em alguns dos maiores defensores do Clube setubalense, cuja entrega passou para as gerações vindouras.

Mas ao mesmo tempo que chegavam mais "forasteiros" para assentarem arraiais em Setúbal, ao mesmo tempo que a sociedade portuguesa ia pintando o país com três cores clubistas, e onde a comunicação social nacional apenas dava atenção a três clubes em Portugal, a força do adepto setubalense 100% vitoriano perdia algum do seu fulgor.

Paralelamente, os cada vez em maior número centros de diversão e a cada vez maior variedade de ocupação de tempos livres, começaram aos poucos a desviar a atenção de alguns setubalenses, que se começaram a desabituar do gosto pelo futebol ou pelo desporto, direccionando-se para outras "artes". E é através deste facto que hoje se conseguem encontrar muitos filhos desta terra cujo clube de preferência é o Vitória, mas que não se interessam por desporto em geral, futebol em particular, não acompanhando a vida do Clube, nem como associados nem como simples adeptos.

Entretanto, a obrigatoriedade imposta pela sociedade em se ser adepto neste país de um clube da dimensão nacional criada pela própria sociedade, cujo cúmulo termina na pergunta ridícula: "Mas qual é que é o teu segundo clube?" ou na "Mas afinal de qual dos grandes é que és?", aliada à migração já referida, e contínua, de gentes de outras terras para os grandes centros urbanos, acabou por introduzir nas fileiras de sócios do Vitória uma grande percentagem de pessoas que gostam de futebol, gostam do Vitória... mas que têm uma paixão vinda de trás por um dos tais emblemas "nacionais", alimentada pela facciosa e comprometida comunicação social.

E será que tal situação é condenável? Pergunta difícil esta... de resposta ainda com maior índice de dificuldade!

A resposta..., melhor: Uma resposta (!), passa, ainda que ambígua, por redundar num simples... talvez! Dependerá dos setubalenses, no caso do Vitória, dos bracarenses, no caso do Sporting de Braga, dos conimbricenses, no caso da Académica de Coimbra, dos aveirenses, no caso do Beira-Mar, etc., i.e., passará em muito pelos adeptos das várias equipas nacionais que se entreguem em exclusividade ao apoio à equipa da sua cidade.

Dentro de cada clube, os adeptos de duas cores, que tanta falta fazem em número e no pagamento de quotas, terão que compreender que não são adeptos de primeira desse clube. (Acho lógico esse auto-reconhecimento). Mais, deverão compreender, aceitar e respeitar que os adeptos a 100% de um clube têm uma paixão maior, porque exclusiva! Mas, e acima de tudo, deverão saber preservar a sua condição de sócio e adepto, de uma forma muito simples: em caso de um jogo em casa do clube da terra onde vive, com o clube do seu coração, deverá saber abandonar a sua condição de sócio, e acompanhar o jogo a partir de um local neutro no estádio, adquirindo um bilhete normal para adepto visitante! Ou seja, deverão saber respeitar o clube do qual são sócios e deverão respeitar os restantes sócios de um emblema que a eles, teoricamente, também muito lhes diz.

Mas se esses adeptos são importantes na vertente financeira para o clube, acabam por ser um cancro que se não for combatido, com o passar do tempo, tenderá a fazer perder a identidade dos sócios a 100% desse clube, reduzindo o número de clubes em Portugal com essa identidade, levando a que o marasmo do futebol português se reduza à insignificância de uma paixão por três clubes inventados por uma comunicação social irresponsável onde a maioria dos profissionais desse sector não são simplesmente profissionais.

Os adeptos a 100%, por sua vez, deverão reconhecer a importância de um clube com muitos sócios, ainda que alguns não sofram como eles pelo emblema a que dedicam exclusividade. Deverão também reconhecer que muitos desses sócios têm uma história de vida que explica a paixão por outro emblema, e valorizar aqueles que aprenderam também a gostar, a amar, a roer as unhas, a incentivar permanentemente a equipa, a acompanhá-la e a dedicar-lhe muito da sua vida... muitas vezes com tanta ou mais emoção como os adeptos a 100%, perfeitamente visível nos jogos que não interferem com o sucesso da sua outra equipa.

Uma coisa é certa... não ajudará que aqueles que nasceram numa terra como Setúbal, e sejam de descendência sadina, incompreensivelmente sejam adeptos de um dos tais clubes de "dimensão nacional", promovida pela também ela pela facciosa imprensa "nacional".

Não vejo um português, residente desde sempre em Portugal, ser um adepto convicto da selecção espanhola, alemã ou inglesa, apenas porque já ganharam mais títulos, porque têm melhores jogadores ou porque têm mais adeptos... nem o vejo gostar primeiro de Portugal e depois de outro país, a não ser por motivos de afinidades familiares. Nós portugueses "reduzimo--nos" à nossa "insignificante" paixão lusitana, mas orgulhosamente! Nós setubalenses, também orgulhosamente, "elevamo-nos" à nossa convincente paixão sadina, à nossa paixão pelo Vitória, porque amar-se o Vitória é amar-se Setúbal!

E ainda há alguns, muitos, que apelam à questão do bairrismo para denegrir a paixão que os setubalenses sentem pelo seu Vitória! Bairrismo? Mas há gente que sabe o que diz? Para mim um bairro é Benfica. Um bairro de Lisboa... essa cidade mongolóide de um país amorfo. Um bairro elevado à dimensão nacional pela tal comunicação social facciosa, comprometida perante empresários, política e sistemas! Um bairro elevado à condição de dimensão nacional, onde gente sem força interior e sem orgulho das suas origens se deixou conquistar pela glória alheia!

Setúbal é uma cidade, capital de Distrito, com uma história que lhe dá paixão! Não é um bairro, mas sim uma cidade que reúne filhos de uma vasta região portuguesa, nas várias repovoações de que foi alvo, conseguindo sempre transmitir o mesmo orgulho a quem por cá se instalava.

Mas porque raio se nasci em Setúbal vou-me pôr a gritar num estádio por uma cidade que não a minha? Porquê gritar "Porto! Porto!" ou por um bairro de Lisboa, tipo "Benfica! Benfica!", ou por um clube com nome inglês, tipo "Sporting! Sporting!"!

Ganharam mais títulos? Têm melhores equipas? São promovidos pela sociedade ou pela comunicação social? Têm mais tempo de antena? Não são de onde nasci... e ponto final!... Confesso: também só consigo gritar por Portugal!

Há quem apele à democracia... à liberdade de escolha! Mas que liberdade? Àquela que é condicionada pela comunicação social enquanto grupo de pressão camuflado? Àquela que nos é imposta por uma sociedade decadente e onde que nem carneirinhos todos seguem a teoria dos mais fortes? Dos mais ricos? Pergunto eu se essa gente também escolheu ser portuguesa? Porque torcem por Portugal? Não os vejo torcer por França, ou pela Holanda! Onde está a congruência?

Sou português, torço por Portugal! Sou setubalense, torço pelo Vitória! (Única colectividade setubalense que nasceu do esforço conjunto de toda a cidade). Esta é a congruência! A única excepção aceitável é a que é justificável pelos movimentos migratórios.

Mas não sejamos mais papistas que ao Papa... se existem sócios no Vitória que não o sejam a 100%, deixemo-los existirem... apenas peço que o sejam respeitando a instituição e os vitorianos a 100%.

Resta deixar uma palavra aos vitorianos que não nasceram em Setúbal. Não serão muitos certamente. Pelo teor das minhas palavras também não compreenderei porque o são, se não tiverem uma história que os ligue de alguma forma a Setúbal, por migrações ou por afinidades. Mas, e pelo teor igualmente do que referi, serão certamente pessoas com uma personalidade muito forte, que conseguiram manter a sua integridade por terem conseguido enfrentar e contrariar o sórdido mundo da comunicação social e fugir aos tentáculos de uma sociedade que se diz democrata! Certamente serão vitorianos porque se revêem na força dos adeptos sadinos e na paixão que estes sentem pelo Vitória!

A terminar, apenas o grito que apetece deixar:

VITÓRIA! VITÓRIA! VITÓRIA!

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